Colunista Nelson Donizete Destaque

CONTINUA TUDO IGUAL

Há muito tempo, me lembro bem ainda, a única opção de diversão que tínhamos era o futebol. Depois veio o vôlei e o basquete.

Tudo era muito difícil naquela época. A quadra da escola ficava fechada e pra jogar só dando uma caixinha pro zelador da escola. Como ninguém tinha emprego ou dinheiro era quase impossível jogar.

A rua era nossa quadra.

Quando o vôlei ficou em ascensão o jeito foi improvisar uma rede e montada  no estacionamento da escola. Tudo era difícil mas gratificante, pois era com ansiedade que  esperávamos os finais de semana pra jogar com os amigos.

Esse simples fato de reunir a galera em torno de um esporte salvou a vida de muitos amigos. Mesmo com toda a precariedade para jogar, era isso que nos motivava;  que fazia a semana passar mais rápido e os finais de semana serem preenchidos por algo saudável.

Quantos amigos se perderam nessa caminhada simplesmente porque não tinha uma “turma” pra jogar futebol, vôlei ou basquete?

Quantos jovens se rendem as drogas para preencher o vazio dos finais de semana da periferia de nossas cidades?

Quantos anos fazem essas lembranças e esses questionamentos sem que nada ou muito pouco tenha sido feito pra mudar essa situação?

É tão barato para qualquer governo incentivar o esporte na periferia das cidades e o resultado seria  imenso.

O esporte de fato salva vidas e não é só futebol, vôlei ou basquete, são todos os esportes.

Após 30 anos tudo ainda é como antes na quebrada onde eu passei minha adolescência. Apenas as oportunidades para o mundo das drogas são maiores, porque pra praticar qualquer esporte só com muita dificuldade e persistência.

Abraços,

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