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CORINTHIANS É DE TODOS: DE RIVELINO OU DE MARCELINHO

Sempre tive um pouco de bronca dos saudosistas, aqueles que sempre dizem que a época deles foi melhor do que a nossa. E comigo não foi diferente. Meus tios, avós e pai, todos corintianos, me diziam: “Na minha época que era bom. Ninguém se machucava. Ninguém trocava de time” e outras coisas que eu acreditava (hoje eu somente finjo que acredito) e fazia ter vontade de ter nascido 30 anos antes.

O Corinthians tem 100 anos e eu tenho 22. Ou seja, fui muito feliz futebolisticamente falando, vi meu time ganhar os quatro títulos brasileiros que tem até hoje, mundial, Copas do Brasil e vários estaduais. Vi grandes jogadores como: Marcelinho, Tévez, Luizão, Edílson e Neto; mas não vi outros tantos.

Há alguns anos eu ainda mantinha uma certa frustração de não ter nascido antes, como se isso dependesse de mim. Gostaria de ter visto Rivelino, Zé Maria, Basílio, Sócrates e Casagrande, o Pacaembu com 80 mil pessoas, a invasão corintiana no Maracanã (que meu pai sempre me fala que estava lá), o fim do jejum, a democracia corintiana, fatos que hoje são apenas parte da história (pra mim).

Mas hoje, um pouco mais experiente e sem a vontade de mudar o mundo com dois braços, não estou mais nem aí com o que falam os saudosistas. Respeito todas as opiniões, mas acho que temos que viver no momento e no mundo em que estamos. Você, que como eu não viu nada do que os mais velhos acham sensacionais, faça seu próprio Corinthians.

Quando te mostrarem vídeos de Rivelino, lembrem das cobranças de falta de Marcelinho Carioca. Quando te falarem sobre a invasão corintiana, lembrem do mundial em que o Timão dividia o Maracanã com a torcida do Vasco. Digam também das fases não tão boas, pois um corintiano de verdade não se esconde nos momentos difíceis. Tenho certeza que eles vão se lembrar de várias também.

O Corinthians de Marcelinho Carioca é o mesmo de Rivelino. O Corinthians de Casagrande é o mesmo de Tévez. O Corinthians campeão em 77 é idêntico ao que foi tri-campeão de Copa do Brasil. O Corinthians é de todos, dos mais novos e do mais velho.

Escrito por Bruno Pavan Almeida