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ENTREVISTA – FRAN DA AEC KAUÊ

Olá caras leitoras e caros leitores do Futebol Alegria e Debate, na sua primeira matéria no Portal, Sabino trás uma entrevista para que possamos refletir e até mesmo pensar sobre a nossa postura diante as dificuldades.

Nesse entrevista ele nos apresenta Fran Kauê, um amante do esporte que não mede esforços para ver a sua comunidade, que fica na Vila Corberi, cresce e principalmente crescer com saúde.

Sem contar que para Sabino e para todos da vila Corberi, ele é um super herói, um super homem que tem sua força e um Batman que tem suas tecnologias. O Fran da AEC Kauê, tem um imenso coração não esperou o governo e fez das limitações sua motivação.

Coroando todo esse empenho, Fran Kauê, representará Itaquera carregando a tocha Olímpica.

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FAD – Sé pudesse dar um tema a essa entrevista seria “guerreiro do povo”

FK – Obrigado pelo título João, apesar de muita gente me chamar de “guerreiro” não vejo minha opção de vida dessa forma, e acho até um pouco exagerado, vivo apenas seguindo o que acho correto, procuro sempre me colocar no lugar das pessoas, e acredito que todos nós temos sonhos, porém nem todos tem a coragem para lutar diariamente para torna-los realidade, muitas das coisas que faço pelos outros é apenas porque em determinadas situações não tive quem as fizesse por mim, o título de “guerreiro” é bacana mas acho que ainda tenho muito o que fazer para merece-lo.

FAD – Fran, conte para nós um pouco sobre sua vida de multi atleta?

FK – Digamos que esse termo tem um peso e tanto e que com o passar dos anos está cada vez mais difícil de carregar, comecei no esporte aos 08 anos de idade, fiquei durante 06 meses indo diariamente em uma academia só observando pois minha mãe não tinha como pagar para eu treinar, então um dia o professor me convidou para fazer parte da equipe gratuitamente, lutei 06 estilos diferentes (Full Contact, Kickboxing, Muay Thai, Tae-kwon-do, Boxe e Capoeira), também fui atleta do Futsal e hoje corro provas de ultramaratonas (já participei inclusive de provas de 24 horas, o que não recomendo pra ninguém). O Esporte como qualidade de vida é muito bom, é gostoso, traz sensações de bem estar, porém já o esporte que chamamos de auto rendimento é muito desgastante e não é saudável, você leva seu corpo ao extremo do limite(já fiz isso algumas vezes e confesso não é nada bom), mesmo não levando mais as competições a sério, hoje muitas vezes saio para treinar as 03, 04, 05 da manhã, me falta tempo e deixar de treinar me deixa de mal humor, então sempre dou um jeito de treinar e ficar o restante do dia feliz, risos.

FAD – Qual a diferença de ser um atleta amador de atletismo,  um lutador , e goleiro de futsal profissional?

FK – Amo de paixão qualquer tipo de esporte, porém a corrida hoje é a que me dá mais prazer, fiz grandes amigos e graças a Deus consegui mudar a vida de muita gente através dela, temos um trabalho muito bacana com o projeto Correndo para o Futuro do qual sou o fundador e coordenador, sou grato ao futebol e as artes marciais, mas principalmente ao Futsal pela questão de ter sido nessa modalidade que fui contemplado com uma bolsa de 100% na faculdade, devo minha formação profissional ao Futsal, já as artes marciais me trouxeram muitas alegrias, muitos amigos e algumas decepções, é triste lembrar que na minha época você subia ao ringue por valores que muitas vezes não davam nem para pagar a gasolina, mas sempre vejo o lado bom de qualquer situação e as artes marciais me proporcionaram muitos momentos bacanas, porém foi a corrida e através do Projeto Correndo para o Futuro que tive minha história levada para o mundo, o reconhecimento e matérias em alguns países, visita de membros do Governo dos Estados Unidos, matéria em países como Dinamarca e Holanda, além de todo o reconhecimento por parte da imprensa e dos amigos aqui do Brasil, devo tudo isso ao atletismo, e isso é fato, não há como não ter sentimento de gratidão por essa modalidade.

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 FAD – O que te motiva a tocar o projeto social?

FK – Não posso chamar de motivação, pois infelizmente muitas vezes as pessoas são ingratas, e quando se fala de gratidão dificilmente você estará motivado, então prefiro acreditar que é um Dom de Deus, as pessoas muitas vezes olham apenas para o que chamo de “sucesso momentâneo”, porém existem milhares de dificuldades para que você possa atingir o reconhecimento e continuar sendo reconhecido ao passar dos anos, o ser humano de certa forma sempre vai esperar muito mais, infelizmente é uma característica da nossa “espécie”, não há como fugir disso, você pode dizer sim 99 vezes uma única que vez que você disser não, você será julgado e condenado. Então procuro sempre seguir os ensinamentos de Deus, procuro ir à missa todos os domingos e sempre uso o evangelho como “reflexão”, a palavra de Deus é minha maior motivação: Amar ao próximo como a ti mesmo. Sempre digo as pessoas, nunca será entre eu e os outros, sempre será entre eu e Deus. Vejo que na minha infância sofri muito por não ter apoio, e hoje vejo muitas crianças com grande potencial que se eu não fizer algo ou a própria sociedade, lá na frente veremos mais um talento sendo desperdiçado ou caindo no mundo do crime, então olho para trás e penso: Puxa vida eu não tinha esse apoio mas eu venci então porque não ajudar outras pessoas a vencerem também, esta é a grande motivação. 

FAD – Políticas publicas para o esporte é um sonho possível?

FK – Claro que sim, não podemos perder a fé. Costumo dizer que tudo é possível neste país, basta apenas ter uma coisa chamada “vontade”, se você tiver pessoas certas, ou seja, pessoas que conheçam do assunto, pessoas capacitadas e que realmente amam o que se propõem a fazer as coisas vão acontecer, nada contra um médico, delegado, advogado ou qualquer outra profissão que ocupe um cargo importante dentro de qualquer federação ou comitê porém, muitas vezes ele vai tratar de assuntos que exige a “sensibilidade” de quem um dia esteve lá, isso chama-se conhecimento de “causa”, sentir na pele, e muitas vezes outros profissionais não são capazes de ter a vivencia que um ex-atleta possui, mas sabemos que muitas vezes devido a acordos políticos é o que acaba acontecendo, pessoas de outros seguimentos mandando em áreas que não são as que dominam, vamos torcer para que um dia isso mude, somos um celeiro de “talentos esportivos”, poderíamos ser a maior potência esportiva do mundo, porém desvia-se muito, se faz muito pouco, e muitas vezes falta competência em quem tem as rédeas do comando.

fadebate_fran_pista1FAD – Fran o que te motivou a construir uma pista no asfalto?

FK – Fácil: “a necessidade”, muitas pessoas acham que tenho orgulho da Pista de 200 metros pintada em uma rua da periferia de Itaquera, muito pelo contrário, sempre digo para todos, a pistinha é um ato de protesto, deveríamos ter uma pista de atletismo oficial em cada bairro dessa cidade, vivemos o melhor momento esportivo do país, tivemos a copa do mundo, teremos olimpíadas, porém o que foi feito desde o anúncio desses dois mega eventos no Brasil? Me vi obrigado a pintar uma rua em forma de pista de atletismo pelo simples fato de não termos local apropriado para treinamento, trabalhar o auto rendimento em uma pista de “asfalto” não é a realidade que o esporte brasileiro necessita, sinto-me muitas vezes impotente, minhas crianças, jovens e idosos muitas vezes correm desviando de carros, tenho que tomar um cuidado diário com treinamento pois o “chão é duro” e precisamos evitar lesões, as pessoas simplesmente passam, olham e acham bonito, porém definitivamente é mais uma vergonha para o esporte brasileiro, como disse, já recebi pessoas dos USA, Dinamarca, Holanda, Itália, e etc, isso tá no mundo e até agora o que foi feito para mudar essa realidade? Continuamos dividindo nossos “sonhos” com carros que circulam e que estão estacionados, não posso nem reclamar, estou no meio da rua, eu “Fran” que invadi o espaço deles, isso precisa mudar, só não sabemos quando.

FAD – Como foi e como é formar atletas de ponta como o Rafael “Galego” e o André “Ligue”?

FK – Você citou dois, porém eles fazem parte da primeira geração de atletas de auto rendimento, ambos começaram comigo aos 12 anos de idade, deixaram de ser promessas e se tornaram realidade, hoje defendem grandes clubes, disputam e vencem competições importantes, temos vários outros jovens que estão indo pelo mesmo caminho, o André e o Rafael chegaram aqui ambos crianças e hoje são homens que aprenderam não apenas correr porém, colocam em prática diariamente o que mais prego e transmito no projeto: “sentimento de gratidão”. Ambos são como filhos, sei das dificuldades que mesmo no auto rendimento eles enfrentam diariamente, atingirem um nível onde talvez eles nunca imaginariam chegar, porém sonhamos muitas coisas juntos e ainda temos muito mais sonhos para realizar, volta e meia tenho que puxar as orelhas, dar conselhos, os caras hoje não são mais aqueles garotinhos magricelas, cresceram, criaram músculos, estão vencendo não apenas dentro das pistas mas na vida, o principal objetivo nunca foi transformá-los em grandes atletas, mas transmitir valores que eles carregariam para o resto de suas vidas, eles aprenderam muito comigo e eu muito mais com eles, temos uma nova geração que talvez seja muito mais talentosa do que a deles, porém a tecnologia e o cotidiano é o grande inimigo atual, mas não vamos desistir, vamos lutar diariamente para que apareçam outros como o Rafael e o André, a batalha é diária e a vontade de combater qualquer “vício” que tire essa nova geração do caminho tem que ser constante.

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FAD – Fran, sei que em breve será realizado mais um sonho, onde carregará a tocha olímpica e representar a comunidade em um evento aonde o mundo estará olhando para nós. Você consegue dormir à noite?

FK – Pra te ser muito sincero, até agora ainda não caiu a ficha, já recebi e-mail de confirmação do Comitê Olímpico, já me colocaram em um grupo oficial dos condutores da tocha, já pediram o tamanho do uniforme que o comitê estará confeccionando, já chorei várias vezes olhando o e-mail de confirmação, porém acho que só vou acreditar no momento em que estiver com a “tocha olímpica” em minhas mãos. Imaginar essa sensação é algo que muitas vezes me tira o sono sim, não estarei apenas representando minha família, meus amigos, o projeto, as crianças, o bairro de Itaquera, estarei representando cada atleta que assim como eu, muitas vezes teve que abrir mão de um sonho pela falta de apoio, de incentivo, de patrocínio. A tocha é o símbolo que representa o espírito olímpico, existe toda uma magia envolvida, se já chorei só de receber a notícia, fico imaginando no momento que ter ela em minhas mãos, espero que a quantidade de lágrimas não apague a chama, risos. Estou muito feliz em poder representar todos que sempre torceram por tudo que realizamos e como disse, essa vitória não é apenas minha, mas de cada pessoa que acredita e que sonha com um mundo melhor para nossas crianças, jovens e idosos, será uma grande honra poder representar cada um de vocês.

FAD – Quais são suas expectativas, quanto aos atletas brasileiros no rio 2016?

FK – As melhores possíveis, sabemos da realidade dos nossos atletas, é triste saber que um país que vai sediar um evento dessa magnitude e desse porte, não tenha feito nada para que nossos atletas chegassem nos jogos com chances reais de medalhas, é triste você ver atletas que já estão classificados para os jogos Rios 2016 fazendo vaquinha virtual na internet para poder comprar suplementos, fazer camping de treinamento, pagar passagem para viajar e se preparar melhor. A realidade do esporte brasileiro está muito distante das chamadas potências esportivas, é triste, porém é a mais pura realidade, nós brasileiros temos que nos orgulhar e muito, só pelo fato de nossos atletas atingirem os índices, falo isso com relação aos esportes individuais, nós sabemos que os esportes coletivos tem muito mais apoio, tem muito mais mídia durante todo o ano, mas infelizmente os esportes individuais são esquecidos, pouco reconhecidos e quando chegam os jogos todos ficam cobrando resultado, porém se esquecem que não é possível construir um atleta olímpico em meses, é preciso anos e anos de dedicação, de apoio, de motivação e principalmente oferecer estrutura para que nossos atletas cheguem com as mesmas condições que os atletas de primeiro mundo, sem motivação e digo motivação em todos os sentidos inclusive financeira, não é possível fazer frente ao resto do mundo em um evento onde estão os melhores atletas do planeta sem o mínimo de planejamento com anos de antecedência, nossos atletas sim devem ser chamados de “guerreiros”.

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FAD – Fran, tenho o prazer de conhecer a sua família, conte o segredo de manter uma família linda e unida, nos dias de hoje,?

FK – Não existe segredo, tem que haver cumplicidade, minha família é igual a qualquer outra existente nos dias de hoje, porém passamos por muitas dificuldades juntos, e o que nunca falta é apoio, compreensão e principalmente respeito, é preciso sempre colocar em prática os ensinamentos de Deus, somos uma família muito católica, que vai à missa, e que acredita que Deus se faz presente e que abençoa diariamente nossa casa, a compressão muitas vezes é tão importante ou mais importante que o próprio amor, então é isso, amar e compreender o conjunto perfeito para manter uma família unidade por muitos e muitos anos.

FAD – Fran deixe uma mensagem aos nossos leitores que tem vontade de treinar ter uma vida mais saudável e não conseguem.

FK – Certo dia ouvi do meu primeiro professor de artes marciais: “existe um tipo de coragem que nunca imaginamos ter, até chegar o momento em que ela é a única coisa que se tem”. Então para quem deseja realizar um sonho seja ele qual for, na vida pessoal, profissional, amorosa, ou até mesmo esportiva, coloque diante dos desafios que você enfrentará para realizar este sonho, primeiramente Deus e depois “coragem”, ter coragem é poder lutar diariamente contra qualquer dificuldade tendo a certeza que ela só depende de você, da sua vontade de transformar sonhos em realidade e da certeza que no final tudo dará certo, pelo simples fato de você ter tido a “coragem de acreditar”.

By Fran Kauê.

www.aeckaue.com.br

Grande Fran continue assim concretizando os seus sonhos e mantendo a esperança de muitos.

Futebol Alegria e Debate, com você nas Olimpíadas

Um grande,

sabino-c

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