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ENTREVISTA – PEDRO ORTEGA

Nessa semana, Fúria trás uma entrevista com o professor de tênis Pedro Ortega. No Brasil que enfrentamos todas as dificuldades para poder praticar esporte, Pedro se sobressai fazendo o melhor naquilo que gosta.

Desde já o Futebol Alegria e Debate, agradeço ao Pedro pela gentileza de conceder essa entrevista.

Nome: Pedro Ortega
Atualmente mora: São Paulo/SP
Esporte: Tênis
Categoria: Professor de Tênis
Contatos para aulas: (11) 96434-3524 / www.facebook.com/ortegatennis 

FAD – Nos conte um pouco sobre o Pedro Ortega que atende à esta entrevista! Fale sobre hobbies, manias, gostos, enfim, sinta-se em casa.

PO – O Pedro Ortega é um cara que respira tênis. Gosto muito de assistir seriados nos meus momentos livres, gosto de assistir futebol (especialmente futebol inglês), tenho melhorado minha alimentação porque sou um chocólotra de primeiro. Além disso toco bateria na minha igreja e ultimamente tenho ido para alguns jogos de vôlei do SESI porque moro na frente do ginásio deles.

FAD – Como foi não aproveitar a fase de nosso melhor tenista, Gustavo Kuerten, quando ele era o primeiro do ranking mundial?

PO – Ouço muito pessoas falarem sobre isso, que não aproveitamos a era Guga. Eu particularmente não concordo com essa afirmação, o Guga foi um fenômeno e vamos ter apenas um Guga na história. Muitas pessoas no Brasil entraram em contato com o tênis por causa dele. Acho que o problema é mais geral, falta organização na maioria das Federações e Confederações dos esportes no Brasil. Temos graves problemas estruturais no Brasil em todos os aspectos, é só olhar para o futebol e ver o quanto dinheiro que temos para fazer algo para o esporte e para aonde vai todo esse dinheiro. Se a afirmação que não aproveitamos o Guga é verdadeira, a Suiça deveria ter muitos atletas top no tênis por causa do Roger Federer, o que não é o caso (além do Federer só tem o Wawrinka).

FAD – O Tênis é visto como esporte de elite. Como podemos desmistificar esta afirmação e trazer mais pessoas para praticá-lo?

PO – Tênis ainda é um esporte caro no Brasil e isso não há dúvidas. Mas se olharmos para as academias de tênis no Brasil, vemos muitos casos de pessoas que vieram de comunidades carentes e tiveram uma oportunidade na vida com o tênis, seja como rebatedores, professores e até jogadores profissionais. Temos alguns parques públicos para prática do tênis mas precisaríamos de mais quadras públicas para popularizarmos o esporte.

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FAD – Quais são as maiores dificuldades que um tenista pode encontrar?

PO – A maior dificuldade com certeza é a falta de patrocínio. Para se tornar um profissional é necessário viajar muito para jogar torneios e pontuar no ranking, e sem o apoio financeiro fica complicado.

FAD – Tênis é um esporte que exige treino frequente e exaustivo, imagino eu. Isto afasta as pessoas de se dedicarem a ele ou é igual a qualquer outro esporte?

PO – Falando pessoalmente, essas dificuldades que o tênis nos trás são as que fazem o esporte se tornar tão atrativo. Ele não é um esporte fácil, mas é apaixonante. Para se tornar um profissional, é necessário ficar de 5 a 6 horas na quadra todos os dias e depois ainda ter um preparo físico específico, é exaustivo. Tênis é um esporte que exige a perfeição, ajustes finos, e esse desafio faz a pessoa se apaixonar pelo esporte.

FAD – Quais campeonatos você já participou e quais foram as experiências que você pode tirar do torneio?

PO – Já participei de muitos campeonatos, seja pela Federação Paulista de Tênis, Confederação Brasileira ou ITF (International Tênis Federation). Eu diria que meus destaques foram muito último ano de juvenil, no qual terminei com número 1 do estado de São Paulo; o ATP Future do Villa Lobos de 2011 que joguei a chave principal após furar um longo pré-qualificatório e também o Brasil Open de 2012, que não joguei mas fui sparring de jogadores como David Nalbadian (ex-top 3 do mundo), Thomas Bellucci e Marcelo Melo (atual número 1 do mundo). Cada dia é um aprendizado, mas estar entre os tops e ouvir a opiniões deles sobre o que o tênis representa para eles foi algo surreal.

FAD – Há muito contato internacional no tênis? Isto pode incentivar as pessoas que queiram praticar o esporte e também conhecer o mundo??

PO – Com certeza. Para ser um atleta profissional de nível internacional você precisa viajar o mundo inteiro. Agora, para quem joga tênis apenas como hobbie, existem também torneios amadores em todos lugares, sendo uma ótima maneira de conhecer pessoas e culturas novas.

FAD – Como passou a gostar e praticar tênis?

PO – Ninguém na minha família jogava tênis. Tenho dois irmãos e jogamos futebol a infância toda. Ganhei uma raquete de um amigo do meu pai e desde que comecei a jogar não quis parar mais. Como não tinha quadra para jogar, jogava paredão na garagem de casa. Depois que meus pais viram que o caso era sério me colocaram para fazer aula, com isso comecei a competir e não parei mais.

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FAD – Fale sobre sua carreira como professor de tênis.

PO – Estou trabalhando como professor porque quero poder passar toda a experiência que tive nas quadras para meus alunos. É algo muito prazeroso ver a evolução dos alunos, seja em qualquer nível, e saber que fiz parte disso.

FAD – Tem algum ídolo que te incentiva e é um espelho para você?

PO – Tenho dois ídolos no tênis: Guga, pela história e respeito que construiu, e Rafael Nadal, pela vontade, determinação, foco e força mental. Se formos falar sobre futebol diria Ronaldo Fenômeno, pela história de superação, e Neymar, pela história que vem construindo no esporte. O cara faz o que quer com a bola!

FAD – Deixe uma mensagem para os leitores do Futebol Alegria e Debate. Agradecemos sua participação e sucesso nas etapas que estão por vir.

PO – Galera, muito obrigado por terem gastado seu tempo e lido um pouco mais sobre o tênis. É um esporte apaixonante, se nunca jogarem tentem alguma vez, tenho certeza que não vão querer parar. Abraço a todos!

Futebol Alegria e Debate, com você nas Olimpíadas
Abraços,

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