Colunista Bruno Pavan Destaque

FUTEBOL É COISA SÉRIA

O mundo (tá, exagero) sabe que Corinthians e Boca Juniors estão decidindo a Copa Libertadores de 2012. Escrevo isso na quarta-feira, no início da noite, antes do jogo, portanto. E as mesma pessoas que sabem disso, sabem também que existe um sentimento dos brasileiros torcerem contra o time brasileiro. Quando essa equipe brasileira é rival estadual, a torcida contra é dobrada.

Aconteceu com o Santos, Palmeiras, São Paulo e Corinthians. Isso é uma coisa tão obvia que eu não precisaria discorrer sobre esse assunto por aqui. Mas o que leio pela internet me fez pensar que talvez essa nova geração de torcedores não entenda muito bem o que acontece.

Cresci sendo zuado a cada eliminação do Corinthians na Libertadores. Cresci zuando os santistas por ficarem quase 20 anos sem título, zuando os são paulinos por terem ficado bons anos sem ganhar da gente e os palmeirenses por não ganharem nada desde 1999.

Nunca vi nada de errado nisso. Nunca quis socar a cara de alguém por me provocar futebolisticamente. E fui criado a levar essas coisas numa boa, apesar de não levar o futebol tão na boa assim. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Nada, nem a mais cabeluda das provocações me deixam mais irritado do que aquela velha frase depois de uma derrota: “liga não, é só um jogo” ou a clássica “olha, você tá aí chorando, mas eles não tão nem aí pra você”. O sangue sobe. Sério!

Olhar o futebol como guerra definitivamente não é saudável. Mas futebol não é só divertimento. Você não vai ao estádio como quem vai ao teatro. Estádios não são confortáveis, não prestam um serviço de qualidade, a comida é ruim, se chover você se molha. E isso é proposital. Os deuses do futebol fazem de tudo para manter quem não quer verdadeiramente estar em um campo de futebol, longe de um campo de futebol.

Vejo as pessoas hoje ficar com um pé atrás antes de provocar um torcedor rival porque tem medo. Imbecis que confundem provocação com insulto, não merece que você perca tempo com ele. Agora, não adianta mantermos uma utopia da “pombinha da paz” nos estádios. O que a maioria quer é a “teatralização do futebol”. E isso não é saudável.

O discurso do politicamente correto chegou até nas provocações a torcedores de outros times. Agora, time A “tem que ser Brasil na (o)_________________” complete como você quiser. Até quando as pessoas são “surpreendidas” com provocações as respostas são: “eu torço pro meu, f… o resto”. Que bobos, não sabem que metade da graça em torcer pra um time é secar os rivais.

Bruno Pavan

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