Colunista Bruno Pavan Destaque

HERÓI OU VILÃO?

Dia 1 de maio é um dia marcante para a maioria da população brasileira. É o dia do trabalho. Aprendemos isso quando pequenos, quando não sabemos direito o que isso significa, mas ficamos satisfeitos pelo fato de não irmos para a escola.

Desde 1994 esse dia ganhou mais um traço de heroísmo e nacionalismo: marca a morte do tri-campeão de F1 Ayrton Senna. Milhares de homenagens são feitas. Imagens são compartilhadas, frases marcantes, ditas verdadeiramente por Senna ou não, são lembradas. O tal orgulho de ser brasileiro aparece.

Nosso povo, tão carente de ídolos e ícones, se agarra a esses heróis do caráter para cumprir com uma obrigação com a nação, talvez. Confesso que me canso um pouco disso.

Não acho errado as pessoas terem ídolos. Acho que é muito saudável termos uma celebridade para espelhar a nossa vida privada. O ser humano precisa disso. Mas o que acontece com Senna é quase uma santificação.

Senna foi um dos melhores pilotos da história, mas não era bonzinho e ético todo o tempo. Jogou seu carro em cima de Allan Prost para revidar uma atitude do francês no ano anterior e muitas outras atitudes questionáveis durante a sua carreira.

O argumento mais usado pelos fãs de Ayrton era a que “Senna ganhava pelo Brasil”. Desculpem, mas um esportista conquista títulos por ele mesmo. Ele treina, se dedica, abdica de algumas coisas na vida, corre riscos, não pelo país, mas pelo seu ego. E não há nada de errado nisso. A vitória de Senna em Interlagos não foi uma vitória de seu ego também? A conquista de uma vitória em “casa” não era um desejo pessoal dele? O país é pura consequência. Ou você acha que dentro de um cockpit a 300 km/h alguém pensa no país? Me desculpem, mas acho isso uma fantasia digna de hollywood.

Bruno Pavan

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