Colunista Glauber Destaque

O FUTEBOL PÓS-CARILLE: PRECISAMOS SER RECICLADOS DE NOVO?

A saída de Fábio Carille, após a derrota para o Millionários da Colômbia, em partida válida a fase de grupos da Copa Santander Libertadores da América 2018, pelo placar simples de 1 a 0, novamente acendeu o alerta vermelho no futebol brasileiro. 

Ele, em uma ocasião, ainda treinando o Corinthians (que se sagraria campeão em 2017) que não sairia do time “nem por um caminhão de dinheiro”. O mundo deu

voltas. Afinal, questionamentos surgem dentro deste contexto – e de muitos outros parecidos – em que não valorizamos, nem sequer temos planos de longo prazo para treinadores oriundos da base de clubes da primeira divisão do nosso futebol, até de outrora, o mais competitivo do mundo.

DINHEIRO E OPORTUNIDADES – O mais entendidos no assunto afirmam que a falta de oportunidades de autonomia de decisão e escassez de recursos financeiros são os maiores obstáculos para os treinadores transformar um elenco mediano em um elenco com chances à título. O Palmeiras, com vultosas somas de dinheiro da Crefisa investidas em contratações de verdadeiros caciques (Borja, Felipe Melo, Guerra, etc.) contrasta-se com a total liberdade de criação e motivação, por exemplo de um clube do porte da Chapecoense, com APENAS a força de vontade do time e, a maestria de um treinador ousado, chegaria a uma disputa de  um campeonato continental, tristemente interrompida por uma tragédia, e servindo como inspiração e reflexão para os demais – grandes, médios e pequenos. Mas o que tem relação dinheiro com oportunidades de trabalho? Se a diretoria do clube garante total liberdade de execução, criação e adaptação do elenco oferecido, mas sem a soma de dinheiro desejada pelo treinador, certamente, a chance daquele time se tornar forte tática e operacionalmente se perde ralo abaixo.

Há aqueles que aceitam reduzir seus salários por um projeto de longo prazo – criação de uma base fixa de um time competitivo para o futuro; tem aqueles que

pensam apenas na conta bancária. Não são todos que pensam em levantar uma bandeira de títulos, resultados ou escrever seu nome na história do time de forma positiva.

Fábio Carille foi aprendiz de mágico do grande Tite. Esteve com ele em 2012, na conquista da América e do Mundo, contra o Boca Juniors da Argentina e o Chelsea da Inglaterra respectivamente. E após a saída do mestre Tite, manteve-se como auxiliar para poder maturar sua essência de treinador campeão até assumir a batuta em 2017, só perdendo o Paulistão para o Grêmio Audax de Osasco, nos pênaltis na Semi-final.

O Título Brasileiro veio como consolo. Porém este ano foi diferente para Carille e seu elenco. Deixou sua marca de sua estirpe: vencedor, motivador, dava oportunidades aos jogadores titulares e reservas. Quando algum jogador que sobressaía aos demais, o colocava como referência de esquema tático, como fez com Rodriguinho, Balbuena e Romero. E sua saída do cenário brasileiro para enfrentar desafios de um desconhecido futebol saudita nos apresenta perguntas difíceis de um problema tão comum do nosso futebol: Por quê treinadores não se mantém tanto tempo em seus posto em um único clube? Por quê se preocupam em querem imitar fórmulas européias, muitas vezes incompatíveis às nossas realidades, muitas vezes econômicas e operacionais? Dá para um time pequeno de expressão ser forte, mesmo em competições inferiores? Será que nos falta aprender mais sobre estratégia, tática de jogo, avaliação de adversários, etc…?

Quem nos responde não são os jogadores, nem os preparadores físicos,

quiçá a torcida…

Futebol Alegria e Debate, o seu portal do esporte

Pindamonhangaba SP