Colunista Fúria Destaque

O NOVO MUNDIAL DE CLUBES

É PRECISO APRENDER A ABRAÇAR E A COMPREENDER AS MUDANÇAS

Olá, caros internautas! Como vocês estão? Na última sexta-feira (15) o atual presidente da FIFA anunciou um novo Mundial de Clubes, com estreia marcada para 2021 e contará com mais clubes mas também um maior tempo de desgaste dos atletas. Mas e aí, como fica o campeonato que nós já estávamos acostumados a assistir todo final de ano?

Esta é uma pergunta pertinente pois reflete sobre uma questão que paira nossa mentalidade limitada de abraçar e compreender mudanças e atualizações. É difícil acertar o descompasso se todo dia vermos algo diferente, o que causa, com o passar do tempo, uma certa comodidade em rever o que já vimos algumas outras vezes e culmina em uma infindável repetição. E de novo, e de novo, e mais uma vez. Isso gera uma limitação de pensamento e raciocínio, o que sem sombra de dúvidas é prejudicial no nosso entendimento a respeito de um assunto – principalmente se este novo assunto em questão for uma novidade. Estamos cada vez mais com preguiça de pensar, de ler e de estudar. O miojo – famoso macarrão instantâneo – nos fez mal e queremos ser entendidos de qualquer assunto que seja com apenas 3 ou 4 minutos de um vídeo no YouTube. E que, no final das contas, sequer checamos a veracidade dos fatos apontados. Fatos são fatos, se eles são verdadeiros, aí são outros 500.

Mas vamos ao que nos interessa: estão prontos para uma mudança? Pois estejam. Não muitos anos atrás era comum o campeão mundial ser definido em um confronto entre o campeão da UEFA Champions League e o campeão da Copa Libertadores da América, em uma disputa direta, sem eliminação, em jogo único e campo neutro. Em 2000 a FIFA realizou um evento que, a partir de 2005, se tornou o Mundial de Clubes que conhecemos hoje, e que teve como o primeiro campeão o alvinegro Corinthians. Mas ora pois, como pode ser campeão mundial sem ter conquistado a Libertadores de 2000? Simples: o critério adotado na época permitiu isso, o Corinthians disputou o Mundial de Clubes de 2000 como convidado devido ao fato de o torneio ter sido disputado no Brasil (o anfitrião tem direito de disputar, como na Copa do Mundo). Então o Boca Juniors não é campeão mundial de 2000 por causa disso? Pelo contrário, é também! A disputa clássica não foi abandonada e o projeto de 2000 só foi ganhar formato final em 2005.

O torneio que conhecemos hoje é semelhante a Copa Rio, conhecida como o primeiro torneio mundial entre clubes de todo o planeta e que tinha critérios diferentes do que conhecemos hoje. O que é fácil de se perceber, pois estamos falando de algo que aconteceu a mais de 60 anos atrás. Contudo certas coisas se repetem, não sei dizer se vocês já fizeram uma reflexão a respeito de um assunto que jogarei na cara de todos: os clubes europeus ameaçam boicote ao evento. Pois é. Mas isso não é novidade alguma, pois desde os tempos de Copa Rio eles tendem a adotar uma atitude desconfiada por natureza. Digo que não é pra menos, de certo ponto de vista eles tiveram razão em tê-lo feito, mas vão acabar cedendo e disputando este novo campeonato.

Na Copa Rio de 1951, a que sagrou o Palmeiras campeão, teve recusa do campeão inglês Tottenham Hotspur, especula-se que os ingleses ainda estavam receosos com viagens aéreas de longa distância, pois em 1949 ocorreu um acidente aéreo onde vitimou os atletas da Torino. Em 1974 foi a vez do Bayern de Munique recusar o convite, cedendo espaço para o vice-campeão da Champions League Atlético de Madrid. O motivo? Não muitos anos antes disso, Santos x Milan protagonizaram um jogo violento da parte dos santistas, marcando o episódio como “jeito sulamericano de jogar futebol”. Isso fez com que os clubes de gigante expressão, como o rossonero, pensassem duas vezes antes de disputar um torneio “irrelevante”, para eles. Os anos foram passando e esta recusa acabou sendo diluída no tempo. Hoje é motivo para conversa e negociação, afinal, basta clubes como Real Madrid, Manchester United, Milan, Bayern de Munique & cia baterem o pé que Mundial nenhum acontece. Aqui no Brasil, cinco clubes já se posicionaram a favor da nova disputa: Grêmio, Cruzeiro, Flamento, Fluminense e Internacional.

Ainda sobre a recusa dos clubes europeus, Infantino realiza uma manobra oportunista lembrando sobre os primórdios da Liga dos Campeões, iniciada na década de 50 sob nome e formato diferente do que conhecemos hoje em dia. O atual presidente da FIFA afirma que até mesmo a competição continental foi vista com olhares desconfiados, tendo em mente que os clubes temiam a desvalorização dos respectivos campeonatos nacionais. O que pode vir a ser positivo é a valorização da Copa Sulamericana, imaginando que será uma disputa que irá ceder vagas no novo mundial de clubes, assim como a avantajada cobiça pela Libertadores da América. Imagina-se que este torneio será uma disputa definitiva que definirá o verdadeiro campeão do mundo, no entanto, jamais poderemos repetir o erro de ignorar os que já se sagraram campeões mundiais, pois seria uma injustiça coberta por outra injustiça.

Esperemos que seja um campeonato memorável e que encha os olhos de nós, meros expectadores. Afinal, até mesmo um amistoso já nos enche de paixão em ver nossos brazucas encarando os titãs europeus.

Abraços,

Futebol Alegria e Debate, o seu portal do esporte.

Twitter : @O_Milanista

Instagram: @o_milanista