Colunista Bruno Pavan Destaque

TIRE SEU SORRISO DO CAMINHO…

Prezado amigo, te escrevo pra entender o que está acontecendo com a gente.

Ontem, quando vim correndo do trabalho pra te encontrar, sabia que uma caminhada dura estava por começar. Outra caminhada dura… não parecia ser lá grande novidade pra nós, não é mesmo?

Você já tinha voltado, mas estava precisando daquele abraço apertado, entende? Aquela conversa franca que você conta as novidades, a gente se diverte e prometemos um ao outro o que vamos fazer no ano, sabe?

Ontem era o dia, você cheio de novidades e eu cheio de esperanças pra ver o que você me prometia pro ano. O que esperar de mim, você já sabe não é, velho companheiro?

E o que aconteceu, meu amigo? Viajamos pra longe, você com um bonito escudo dourado no peito, aquele que você foi buscar lá no Japão pra trazer pra cá… e… na hora que seria de grande alegria, logo no começo do nosso reencontro… aconteceu… uma morte…

Uma morte, companheiro? Uma morte de alguém que, por várias vezes, era eu… de alguém que estava como eu estava muitas vezes… desarmado, feliz,atento.. e de repente… uma morte…

Preciso repeir isso algumas vezes porque, realmente, é difícil de acreditar…

Sinto  nó na minha garganta doer em você. E o nó da sua doer em mim…

Fomos para outro país e matamos uma pessoa… a nossa torcida matou uma pessoa…

Desculpa cara, mas o que a gente faz agora?

Uma derrota? Isso a gente tira de letra. Já enfrentamos tantas, não é mesmo?

Mas isso? Uma morte? Aquele clichê que cohecemos tão bem,de nunca ser fácil, a partir de 2013 tem um novo significado pra mim.

Olho pra sua foto aqui na minha frente, não sei o que eu faço… não sei como eu ajo… não sei como vai ser daqui pra frente. Sei que nunca mais será igual, velho amigo.

Nunca imaginei, nas tantas visitas que te fiz, morrer enquanto te assistia. Ali, do lado dos meus, eu era invencível… assim como você é.

E aquele orgulho cego surdo e mudo que sentia por você, como vou tirá-lo da profunduza em que ele se encontra agora? Uma profundeza em que ele nunca se encontrou, nem nas piores e mais humilhantes derrotas…

Me diz pra onde é que inda posso ir…

Tão dizendo agora que você vai aparecer pra ninguém… num ensurdecedor silêncio… ali, num profundo nada… que gritará e nos envergonhará perante aos outros, amigo velho…

Mas os nossos se erguerão novamente, não é mesmo? Nosso orgulho ressurgirá… como foi sempre, surgindo de cada escombro, de cada esquina, como as nuvens do poeta na grande cidade…

Nos forçaram uma refundação, pra que nós surjamos mais forte, e para o esporte resurgir fortalecido também…

O esporte bretão, aquele que tu figulras entre os primeiros, voltará sem manchas também. Sem cicatrizes.

No fim, querido amigo, dará tudo certo. Pois, como disse alguém por aí, se não deu certo, é porque ainda não chegou no fim…

Bruno Pavan

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