Crônicas Destaque

UM DIA SANTISTA

Era um sábado chuvoso. Levai cedo e comecei o ritual de ir para o estádio. Calça de moletom preta, blusa de frio branca e o tênis da sorte. A diferença que o jogo não seria em São Paulo, teria que ir para rodoviária e locomover-me até Santos por 44 minutos.

Antes de ir para rodoviária, passei na casa do Rafael, o garoto de 14 anos santista apaixonado pelo seu time e que nunca teve a oportunidade de ver o Santos jogar. O sonho se realizaria pela primeira vez nesse sábado chuvoso e logo na Vila Belmiro, a Vila mais famosa do Mundo.

Indo para a rodoviária a ansiedade tomava conta do Rafael. Era nítido no seu olhar a vontade de chegar logo e poder assistir o jogo. Descendo a serra pegamos uma neblina e uma chuva muito forte que chegava a sustar, mas não diminuía a alegria do Rafael. Eu só pensava “Putz, que chuva essa. Tomara que quando chegarmos em Santos, a chuva tenha parado. Esse dia precisa ser especial para o Rafael”.

Depois de 01h15min de descida finalmente chegamos a Santos. A chuva ávida dado uma amenizada, mas o frio era intenso. Quanto mais nos aproximávamos da Vila Belmiro, Rafael fica cada vez mais ansioso.

Olhei para a fila e não tinha ninguém comprando ingresso. Tive tempo de escolher com calma o melhor lugar para Rafael poder assistir o primeiro jogo na Vila. Comprei cadeiras cobertas na lateral, pois a chuva não dava trégua, já estava chovendo forte novamente.

Aproveitei que tínhamos chegado cedo e dei uma volta inteira pela Vila Belmiro. Pude mostrar onde a torcida adversária entra, onde o time do Santos iria entrar e o time adversário. Chegamos até o Memorial de Futebol de Santos. A grande tristeza é que estava fechado, mas mesmo assim pude tirar algumas fotos de Rafael diante a entrada do Memorial.

Durante o tempo de espera a torcida do Santos vinha chegando para apoiar o time. Eu estava preocupado em encontrar alguém conhecido, pois você sabe quando se torce para outro time sempre tem alguém que aparece e diz: “Já te vi na outra torcida”. Indiferente da minha preocupação Rafael não via à hora de entrar e sentir a emoção de estar dentro da Vila e ver Neymar e companhia jogando aquele futebol alegre.

Os minutos que antecedia o começo do jogo eram angustiantes para o Rafael que não tirava os olhos do túnel de acesso. A garotada se posicionou juntamente à Baleia e Baleinha, que se preparavam para dar boas vindas ao time que subia a escadaria do túnel.

Quando o Santos entrou em campo, os olhos do Rafael chegou a brilhar. Ele estava procuram em campo o Neymar. Quando ele encontrou o ídolo ficou parado parecendo uma estatua. Cheguei até me emocionar só de ver alegria do Rafael.

Nesse momento o jogo virou secundaria para mim, passei 90 minutos curtindo a emoção do Rafael. Não tem preço ver o sorriso de um garoto que torce pelo seu time de coração e tem a oportunidade de ver o seu ídolo em campo.

No final da partida o Santos venceu por 2×0 e fez alegria de 8 mil torcedores, inclusive do Rafael que não para de gritar: “Santos, Santos, Santos”.

Rafael foi o garoto que fez um Corinthiano um dia torcer pelo Santos.

Escrito por André Soares